Em condomínio a pergunta é quase sempre a mesma: quem entrou naquele horário? E quem pergunta já chega com a hora na mão. Se aquele minuto não está gravado, não tem conversa.
O que costuma dar problema
- Encomenda que sumiu da portaria. Você precisa da hora da entrega e da hora em que ela deixou de estar lá.
- Carro riscado na garagem. A garagem fica parada a maior parte do dia, então é onde a detecção de movimento menos grava.
- Discussão entre moradores. O vídeo evita que a assembleia vire palavra contra palavra.
- Prestador de serviço. Quem entrou, com quem ficou, a que horas saiu.
- Portaria remota. Se o acesso é liberado à distância, a gravação é o registro do que foi liberado.
- Dano em área comum. Aparece dias depois, quando ninguém lembra mais da data.
Portaria é o pior caso para detecção de movimento
Portão de prédio tem gente passando o dia inteiro. A detecção de movimento dispara tanto que não filtra nada, e ainda assim deixa buraco entre um evento e outro. Na garagem acontece o contrário: fica parada por horas e um vulto devagar pode não disparar nada.
Nos dois casos você chega ao vídeo pela hora, não pelo alerta. Aqui está a diferença entre backup e aviso.
O DVR da portaria é o ponto fraco
Na maioria dos prédios o gravador fica na própria portaria, às vezes em um armário sem chave. Isso quer dizer que a gravação está no lugar mais fácil de alcançar do condomínio.
Com uma cópia na nuvem, o vídeo sai do prédio na hora em que é gravado. Se o DVR for levado, se o HD queimar ou se alguém apagar o período, a cópia continua lá. E o acesso a ela é separado de quem trabalha na portaria.
LGPD: imagem de morador é dado pessoal
Câmera em condomínio cai na LGPD, e o síndico responde por isso. O básico que costuma ser cobrado:
- aprovar a instalação em assembleia e registrar em ata;
- colocar aviso visível nas entradas e áreas comuns;
- não instalar câmera apontada para dentro de unidade, elevador social em ângulo invasivo, banheiro ou vestiário;
- definir quem pode ver as imagens e por qual motivo, e registrar cada consulta;
- definir um prazo de guarda e apagar depois dele.
Na prática, os prazos usados em condomínio ficam entre 15 e 30 dias, salvo quando a imagem precisa ser preservada para uma investigação. Guardar por tempo indefinido não é mais seguro, é mais exposto.
Na b-cam o prazo de guarda é um número que você escolhe, de 3 dias para cima, câmera por câmera. Passou o prazo, a gravação sai sozinha. E dá para liberar uma câmera específica para alguém sem entregar a conta inteira, o que ajuda a manter o controle de acesso que a LGPD pede.
Montando na prática
Desta parte para baixo o texto fica mais técnico.
Onde apontar as câmeras
- Portão de pedestres, na altura do rosto. Câmera alta demais só filma cabeça e boné.
- Portão de veículos, enquadrando a placa na faixa por onde o carro passa.
- Balcão da portaria, onde a encomenda é recebida e guardada.
- Hall e acesso aos elevadores.
- Garagem, nos corredores de circulação.
- Área de lazer e salão de festas, onde acontece o dano em área comum.
Quantos dias guardar
Trinta dias cobre bem o tempo que um morador leva para perceber e reclamar, e ainda fica dentro do que se usa por aí. Se o seu condomínio adotou 15 dias em regimento, siga o regimento. O importante é que o número seja uma decisão registrada, e não o que couber no HD.
Qualidade e custo
A cobrança da b-cam é por kbps, então o condomínio controla o valor mexendo na configuração das câmeras:
- Portarias e portão de veículos: resolução alta. São as câmeras que precisam identificar pessoa e placa.
- Garagem, corredor e lazer: taxa de bits menor já resolve, porque ali você quer saber que alguém passou e quando.
- Prédio com 20, 30 canais no NVR: escolha quais sobem para a nuvem. Normalmente as de acesso. O resto continua gravando só no disco local.
- Câmera antiga de marca diferente: funciona igual, desde que fale RTSP, RTMP ou MJPEG.
Uma coisa que a gente precisa dizer
A b-cam grava o que chega pela internet. Se a sua internet cair, ou faltar energia, aquele pedaço não sai do seu local e não vai estar na nuvem depois.
Por isso o certo é ter as duas coisas. O DVR ou o cartão da câmera é a primeira cópia e grava mesmo sem internet. A b-cam é a segunda cópia, fora do local, e é o que sobra quando levam o DVR, quando o HD queima ou quando alguém apaga as imagens. Uma cobre a falha da outra.
Vale ligar o alerta de câmera parada. Assim você descobre no mesmo dia que uma câmera deixou de mandar vídeo, e não no dia em que precisar da gravação.
Calcular o preço das suas câmeras
O preço sai da qualidade que você configura na câmera (medida em kbps) e dos dias que quiser guardar, a partir de 3. Os dois são escolhidos câmera por câmera e podem mudar depois. Veja também por que gravamos 24 horas, a lista de câmeras compatíveis e os outros casos de uso.
